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Rascunho

O jornal de literatura do Brasil

#145

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HQ HQ_maio_2012

Paiol Literário Ricardo Lísias

Ensaios e Resenhas O literato da memória

Ensaios e Resenhas A ferida do exílio

Ensaios e Resenhas Variações do acaso

Dom Casmurro O amor acontece

Dom Casmurro Broadway Boogie-Woogie

Ensaios e Resenhas Os espectros do gigante

Ensaios e Resenhas Universalismo sertanejo

Ensaios e Resenhas Lúdico e mágico

Ensaios e Resenhas Leitura do mundo

Ensaios e Resenhas As noites dentro da noite

Ensaios e Resenhas Ao lado de Pessoa

Inquérito Método de trabalho

Ruído branco Top 15: os novos clássicos da cultura

A literatura na poltrona Política e poesia

Intercâmbios ficcionais A volta dos que foram

Translato As marcas distintivas de toda tradução

fevereiro 2012 / Dom Casmurro / Almir Castro Barros

Almir Castro Barros

Ilustrações: Rafa Camargo

Enganos

Enverdecer calores é mentir,
Como igualmente faz quem ri de loucos
Dizendo-os chorar.

E enquanto difamados,
Malucos ressonham marselhesas
No firme e seu caminho — único.

 

Ditadores e seus narcisóides

Magnificar
O quê?

Neles,
A esperança não tem pacto:
Está em seu abecedário.

Nalguns porões,
Bichos já com garras de aço

Aguardam no chão que lhes resta
— Fogo e ordem
Déspota.

 

Retratos — na rua

Ferozes andam todos,
E quando esquecem a própria jaula,
Matam.

Conforme os apetites,
A devoração virá.

Luz nenhuma
Infernizará no remorso, esses,

Contra quem descerá das faixas do céu
Rapinas em multidão — famintas.

 

A Deus, ou
lendo Rilke em Duíno

Dos olhos
E nas águas que eles podem,
Relembro.

Então,
Fecha-se a janela onde estou,
A exigir-me
Contra o inferno dos frios
— Uma coberta.

ALMIR CASTRO BARROS

Nasceu em Maraial, cidade da mata sul pernambucana, em 1945. É autor, entre outros, de Um beijo para os crocodilos, O lugar da alma. Vive em Jaboatão dos Guararapes (PE).  

Quatro poemas de Almir Castro Barros
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