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Rascunho

O jornal de literatura do Brasil

#145

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Paiol Literário Ricardo Lísias

Ensaios e Resenhas O literato da memória

Ensaios e Resenhas A ferida do exílio

Ensaios e Resenhas Variações do acaso

Dom Casmurro O amor acontece

Dom Casmurro Broadway Boogie-Woogie

Ensaios e Resenhas Os espectros do gigante

Ensaios e Resenhas Universalismo sertanejo

Ensaios e Resenhas Lúdico e mágico

Ensaios e Resenhas Leitura do mundo

Ensaios e Resenhas As noites dentro da noite

Ensaios e Resenhas Ao lado de Pessoa

Inquérito Método de trabalho

Ruído branco Top 15: os novos clássicos da cultura

A literatura na poltrona Política e poesia

Intercâmbios ficcionais A volta dos que foram

Translato As marcas distintivas de toda tradução

dezembro 2011 / Dom Casmurro / Irene Gruss

Irene Gruss

Quatro poemas de Irene Gruss

 

Ilustração: Rettamozo

 

TRADUÇÃO: Ronaldo Cagiano

Mulher mal-resolvida

Gostaria, como Gauguin, largar
tudo e ir-me,
deixar minha família, a não tão sólida
posição
e ir escrever em alguma ilha
mais solidária.
Essa tranqüilidade de Gauguin,
permanecer em uma ilha
tão quente, onde as mulheres
cospem resignadas
caroços de fruta silvestre.

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Silêncio

Aqui é um mistério natural,
aqui onde o silêncio é mago,
meu senhor. A única coisa que aparece é a grama.
O amor ressoa
como um verso antigo.
Ressoa menos que o silêncio
e mais que os grilos.
Ninguém ocupará seu lugar, sua cadeira.
Canta comigo como eu,
com a boca fechada. Calmo como eu ao acordar
e faz mover as coisas,
para que façam seu ruído. O silêncio sabe
por que silencia; feito para dizer e calar.
Mistério natural quando da hora dourada.

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Entropia

Esta melancolia, esta ternura vã,
a dor rareia — como se se tratasse de um gás.
Me asfixio, me dissipo,
água não é possível,
precipita,
nenhum remédio.
a boca de desfaz. Não falo mais.

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O escárnio

O desespero não tem forma,
não é estético.
O idioma apodrece.
Há um cálculo perfeito de Thanatos e
um escárnio do destino.

IRENE GRUSS

Nasceu em Buenos Aires, em 1950. Estreou com La luz en la ventana (1982), seguindo-se El mundo incompleto (1987), La calma (1991), Solo de contralto (1997) e La dicha (2004), entre outros.  

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